II Ciclo de Formação do Programa de Desenvolvimento Docente promove debates sobre desafios da graduação, a formação profissional e novas estratégias de ensino

23/09/2026

A Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) realiza, entre os dias 30 de setembro e 2 de outubro de 2026, o II Ciclo de Formação do Programa de Desenvolvimento Docente. A programação acontece no Auditório das Reitorias e reúne professoras e professores da Universidade em uma agenda dedicada à reflexão, diálogo e troca de experiências sobre a docência universitária, a identidade profissional e os desafios do ensino de graduação.

A iniciativa busca fortalecer a formação continuada do corpo docente e ampliar os espaços de diálogo e troca de experiências sobre a prática acadêmica.

Segundo a pró-reitora de Graduação da UFJF, professora Dra. Katiuscia Antunes, a continuidade do programa está alinhada às metas previstas no Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) da Universidade e representa um compromisso da atual gestão com a qualificação dos docentes.

“A continuidade do Programa de Desenvolvimento Docente é uma meta que está posta no nosso PDI, um compromisso que a Pró-Reitoria de Graduação assumiu em parceria com outras pró-reitorias. Queremos promover uma formação continuada dos professores, trazendo temáticas atuais a partir das necessidades que se apresentam na formação docente no âmbito universitário e no ensino de graduação. Esse é o compromisso dessa gestão com a qualificação docente”, destaca.

A programação tem início no dia 30 de setembro, das 18h às 21h, com a conferência “Docência universitária e o ensino de graduação em debate”. A atividade será conduzida pelo professor Dr. Eduardo Cezari, coordenador de Desenvolvimento Acadêmico da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação (SESu/MEC).

Entre os assuntos previstos estão a atualização dos currículos, os indicadores acadêmicos, os impactos desses indicadores no financiamento das universidades e os desafios relacionados à formação dos profissionais que atuarão no futuro.

“Um dos principais objetivos da conferência é que a gente faça uma discussão sobre o programa. Dentro desse contexto, queremos refletir sobre o currículo do tempo presente, quem é esse jovem que está chegando à universidade, a nossa geração que está na universidade e quais são os desafios que temos para formar os profissionais do futuro e contribuir para o desenvolvimento do país”, afirma.

No dia 1º de outubro, das 9h às 18h, será realizado o I Seminário Nacional de Modelos de Financiamento das Universidades Federais, coordenado pela equipe da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação.

A atividade integra uma série de encontros promovidos pela SESu/MEC desde julho, contemplando diferentes regiões do país. A proposta é discutir o financiamento das instituições federais de ensino superior, especialmente a partir de dados e indicadores relacionados à graduação.

De acordo com Katiuscia Antunes, a inclusão do seminário na programação do Programa de Desenvolvimento Docente amplia o alcance da formação oferecida aos profissionais da Universidade, especialmente aqueles que ocupam funções de gestão.

“É muito importante inserir esse seminário no contexto do Programa de Desenvolvimento Docente porque entendemos que ele é um espaço importante de formação, sobretudo para quem está em cargos de gestão, nas coordenações de curso e nas chefias de departamento. É fundamental compreender como funciona o financiamento das universidades e quais indicadores entram nessas matrizes. Também é uma oportunidade de dialogar sobre a realidade das universidades com a Secretaria de Educação Superior do MEC”, explica.

Encerrando o ciclo, no dia 2 de outubro, das 8h às 11h, será realizada a mesa-redonda “Docência universitária, identidade profissional e estratégias de ensino”. Participam da atividade a pró-reitora de Graduação, professora Dra. Katiuscia Antunes, e o professor Dr. Thiago Gomes de Almeida, docente da Faculdade de Administração e Ciências Contábeis da UFJF.

A discussão terá entre seus eixos as metodologias ativas e a necessidade de repensar as práticas pedagógicas no ensino superior. Para Thiago de Almeida, a adoção dessas estratégias não representa apenas uma mudança técnica ou operacional, mas uma transformação na própria concepção do trabalho docente.

Segundo o professor, o movimento das metodologias ativas representa não só algo do ponto de vista técnico, metodológico e operacional, mas um movimento de mudança, um novo olhar sobre o que significa a prática do professor e uma docência baseada no processo de aprendizagem do estudante, e não no processo de ensino do professor.

“O objetivo do processo educacional não é garantir que o professor ensinou, mas que o estudante aprendeu o que precisava. Os estudantes possuem diferentes estilos de aprendizagem e, portanto, precisam de um repertório didático que contemple diferentes circunstâncias e situações para que possam aprender e sanar suas dúvidas”, explica.

As metodologias ganham uma importância ainda maior pq elas sao de uma oportunidade de desenvolvimento de habilidades que os estudantes estão desenvolvendo menos, pq estão menos expostos a esses contextos. Quanto mais expositiva a aula, quanto mais o modelo de avaliação for estritamente baseado em conteúdo, maior o impacto negativo das ferramentas

As transformações provocadas pelo avanço das ferramentas de inteligência artificial também estarão presentes nas discussões sobre as práticas pedagógicas. Para Thiago de Almeida, o cenário atual reforça a necessidade de estratégias que estimulem a participação, a criação e a interação dos estudantes.

“As metodologias ativas ganham ainda mais importância na era das inteligências artificiais. Estamos observando estudantes que estão interagindo menos, produzindo menos e criando menos porque estão utilizando ferramentas de IA para aprender. As metodologias representam uma oportunidade de desenvolver habilidades às quais os estudantes estão menos expostos”, destaca.

Já para Katiuscia Antunes, a presença da IA no cotidiano universitário tornou a discussão ainda mais necessária. Segundo ela, o assunto tem sido cada vez mais demandado pelos docentes, especialmente no âmbito da graduação e da formação de professores.

“Os desafios na era da IA são uma temática muito atual e têm sido muito solicitados pelos docentes na Universidade, sobretudo para a graduação e para a formação de professores. A IA é uma ferramenta importante, mas também exige de nós formação e cuidado. Ela já faz parte da nossa vida, seja na dos estudantes, seja na dos professores. Nós também estamos utilizando a IA como ferramenta na preparação das nossas aulas e nas nossas atividades acadêmicas”, frisa.

Nesse cenário, o II Ciclo de Formação do Programa de Desenvolvimento Docente se apresenta como um espaço para fortalecer a qualificação continuada dos professores da UFJF.