Reitor Henrique Duque fala a participação da UFJF na Copa

24/06/2009
O Reitor Henrique Duque anunciou no último dia 19 que a UFJF será responsável por capacitar, através do ensino a distância, todas as pessoas envolvidas no suporte, apoio e operação dos eventos relacionados à Copa do Mundo de 2014.
O trabalho será realizado através de um convênio entre o Instituto João Havelange, o Instituto de Educação e Desenvolvimento (IEDS-Digital) e a UFJF.
Na entrevista abaixo, o reitor explica qual o papel da Universidade nesse acordo, fala sobre sua importância para a cidade e, ainda, conta como foi o encontro com o ex-presidente da FIFA, João Havelange.

Diretoria de Comunicação da UFJF (DC): Como foi o processo para assinar o convênio?
Reitor Henrique Duque:
O Instituto João Havelange estava em busca de universidades que poderiam atender a certos requisitos, entre eles, a qualidade do ensino, do corpo docente, a infraestrutura de toda a universidade e, em especial, da Faculdade de Educação Física. Eles observaram que nós reuníamos todas essas condições aliadas ainda à qualidade do ensino a distância. Por isso, entraram em contato conosco e com o IEDS, que possui tecnologia para transmissões via satélite e através de TV digital, para firmarmos o acordo.

DC: Qual a importância dessa parceria para a Universidade?
Reitor: Esse é um acontecimento de amplitude nacional e uma forma de Juiz de Fora estar representada na Copa do Mundo. O convênio nos engrandece muito, pois todas as pessoas irão adquirir os conhecimentos para trabalhar no evento através de nossa Universidade.
Em reunião da Andifes todos estavam brincando, pois “mineiramente” nos agimos calados e conseguimos assinar um convênio, que todas as universidades estavam tentando obter.
Mas, brincadeiras à parte, a verdade é que tenho vivido dias muito felizes, porque estamos conseguindo colocar em prática aquilo que foi nossa proposta de campanha: humanizar e desenvolver.
Estamos vivendo um novo tempo, temos avançado sem esquecer o norte da Universidade, que é o de manter e ampliar, cada dia mais, a qualidade de seu ensino, pesquisa e extensão.

DC: Como será feita a capacitação?

Reitor: Esse é o único convênio oficial a ser oferecido. Outros institutos deverão disponibilizar treinamentos, mas somente nós teremos a chancela da organização da Copa. Através do Núcleo de Educação a Distância, iremos criar os cursos, determinar quais profissionais serão habilitados a ministrar esses cursos, sua durabilidade, periodicidade e, além disso, seremos responsáveis por todos os certificados emitidos.
Com relação ao corpo docente a ser empregado nesse trabalho, devemos ficar encarregados por oferecer de 20% a 30%, o restante dos profissionais será disponibilizado pelo IEDS.
Todas essas questões, no entanto, serão detalhadas na primeira reunião de trabalho a ser marcada nos próximos dias.

DC: Já existe uma expectativa de quantas pessoas serão capacitadas?
Reitor
: Penso que a grande vantagem do ensino a distância é a inclusão social. Muitas pessoas que estão longe, sem acesso ou condições poderão realizar os cursos. Mas, não há ainda uma estimativa exata da quantidade de pessoas atingidas. Como a Copa terá 12 cidades sede, a expectativa é de atingir milhares de pessoas.

DC: E quanto aos investimentos e benefícios?
Reitor:
Em termos de investimentos, a UFJF entra com aquilo que temos de mais valioso: nossa logomarca, os professores e a infraestrutura. Em troca, conseguimos divulgação dentro de um evento mundial. Ficaremos também com 30% da receita bruta a ser arrecadada pelo convênio, totalizando, aproximadamente R$ 75 milhões até 2014.
O NEAD também será muito beneficiado, pois iremos agregar toda tecnologia oferecida pelo IEDS aos nossos cursos de graduação e pós-graduação à distância. O Instituto irá treinar as pessoas que nós indicarmos para trabalhar em estúdio, vídeo, produção e teleconferência via TV digital, disponibilizando os recursos para isso.

DC: Em toda a cidade se comenta sobre a possibilidade de alguma seleção do mundo vir treinar em Juiz de Fora. Isso é possível?
Reitor:
Essa é uma disputa que todos estão querendo, inclusive nós. O secretário executivo do Ministério dos Esportes, Wadson Ribeiro, é de Juiz de Fora e tem feito um esforço grande para ajudar a cidade nesse sentido.
Temos tudo para receber uma seleção. Aqui na UFJF, com as obras já em andamento, teremos um campo de futebol de alta tecnologia comparado aos mais modernos do mundo. Além disso, o espaço da Faculdade de Educação Física é abençoado pela natureza. Temos lá uma mina natural e vamos construir um deposito de 100 mil litros d’água para aproveitar a água da chuva, que será utilizada na irrigação do campo.
Sala de musculação com os melhores equipamentos, parque aquático e pista de atletismo em conformidade com critérios internacionais também fazem parte das obras a serem inauguradas.
Acredito que a localização de nossa cidade, próxima ao Rio de Janeiro e a Belo Horizonte, poderá contribuir muito.

DC: A UFJF irá buscar experiência com outras instituições?
Reitor:
Com certeza isso vai ser feito. De acordo com o IEDS, teremos a disposição a experiência da Universidade de Lasagne, na França, que já realizou cursos dessa forma anteriormente.

DC: Como foi o encontro com João Havelange?
Reitor:
Tem pessoas que não deveriam deixar de existir e o João Havelange é uma dessas pessoas. Com 93 anos, ele disse que ainda faz natação e tem muita vivacidade. Além disso, possui grande preocupação com o jovem, pois o futebol, independente da cultura, é algo que pode mudar a realidade dos jovens de todo mundo. Em relação ao Brasil, falou que espera ter pessoal capacitado em todos os sentidos para acolher o público. Eu acredito que o brasileiro já possui esse espírito acolhedor por natureza, por isso, certamente teremos condições de fazer uma grande Copa do Mundo.

Fonte: www.ufjf.edu.br
Publicada em: 24 de junho de 2009