Eliana Lúcia Ferreira

12/03/2009
Entrevistas
Eliana Lúcia Ferreira Eliana Lúcia Ferreira

Eliana Lúcia Ferreira é graduada em Licenciatura em Educação Física pela Universidade Federal de Uberlândia. Concluiu mestrado e doutorado em Educação Física e pós-doutorado em Linguistica pela Universidade Estadual de Campinas. Atualmente é pesquisadora da Universidade Estadual de Campinas, professora titular da Universidade Federal de Juiz de Fora e coordenadora dos cursos de extensão e especialização em Atividade Física para Pessoas com Deficiência Física.

 

NEAD – Qual o objetivo da Pós-Graduação em Atividade Física para Pessoas com Deficiência?
Eliana Ferreira – Com a nova resolução que determina que todos os professores devem trabalhar com atividade física para pessoas com deficiência, percebe-se que na graduação os professores não estão capacitados para tal, isto porque houve uma falha na grade no momento de trabalhar com esta possibilidade. O curso de pós-graduação vem exatamente sanar esta lacuna na formação dos professores.


NEAD – Qual o perfil o aluno deve ter para ingressar nesta pós-graduação?
Eliana Ferreira – Nós trabalhamos com áreas extremamente diversificadas. A princípio, para trabalhar com atividade física, a pessoa deveria ser professora de educação física, mas não é o que acontece. Embora nosso foco seja professores de educação física, temos profissionais de áreas afins, como: a pedagogia, a fisioterapia e a terapia ocupacional. Nós abordamos não só a atividade física na escola, mas também o esporte de rendimentos, a reabilitação e o lazer.


NEAD – Qual a área de atuação do profissional?
Eliana Ferreira – O curso tem uma grande abrangência. Agora o professor de educação física pode atuar também na área de reabilitação, que é algo extremamente novo  e está sendo muito divulgado na Alemanha. O trabalho do professor não está limitado às escola ele pode trabalhar em outros centros que tenham o objetivo de reabilitação física.


NEAD – A senhora considera positiva esta abrangência?
Eliana Ferreira – Isso é extremamente polêmico, mas eu acredito que sim.  Eu penso em um trabalho multidisciplinar, porque quanto mais áreas se interessarem por este trabalho mais pessoas com deficiência serão beneficiadas.


NEAD – O curso envolve atividades práticas com as comunidades dos polos ou grupos de pessoas que realmente necessitam?
Eliana Ferreira – O curso é dividido em três momentos. No primeiro trabalhamos especificamente com a questão da inclusão social, políticas publicas, leis, tudo o que é de interesse da comunidade. Num segundo momento, nós trabalhamos com a atividade física in loco, ou seja, a prática da atividade; para essas aulas, além  do material da plataforma, existem os encontros presenciais. A terceira parte envolve as atividades lúdicas, o lazer e o esporte de autossentimento, que é preparar o deficiente para ser um para-atleta.



NEAD – Quais os tipos de atividades físicas com que os alunos aprendem a lidar?
Eliana Ferreira – Nós trabalhamos com todas as atividades para desportos desenvolvidas mundialmente e reconhecidas pelo Comitê Para-olímpico Internacional, como a dança na cadeira de rodas, atletismo, natação, ginástica artística; para todas os tipos de deficiências: física, mental, auditiva e visual. Um diferencial deste curso é que nosso corpo docente é composto pelos melhores professores do país, aqueles que mais se destacam de acordo com a deficiência.


NEAD – Explique no que consiste a reabilitação física?
Eliana Ferreira – A pessoa quando tem um tipo de deficiência passa primeiro por uma consulta médica, depois pela fisioterapia, da fisioterapia ela encerra o tratamento. No entanto, não se ensina por exemplo o manejo da cadeira de rodas, a pessoa algumas vezes até ganha do SUS a cadeira, mas não sabe manejá-la. A Educação Física entra exatamente neste ponto: a pessoa deixa de ser um paciente e passa a ser um aluno; ela aprende não só a manejar essa cadeira para atuar, como também as regras do esporte.


NEAD – Qual a importância deste curso para inserção social?
Eliana Ferreira – É imensa, hoje todos sabem que é lei permitir que a pessoa com deficiência esteja não só na escola mais em qualquer outro espaço público. Se preparamos profissionais para melhor recebê-las, mais oportunidades são geradas.

O que percebemos, em especial nos interiores, é que os profissionais não estão capacitados para tal. A partir do momento que as pessoas estão aptas a receber o deficiente, automaticamente ele tem a possibilidade  de inserção social. Por exemplo, se os profissionais entenderem que o deficiente pode participar da aula de educação física, no fim de semana ele também estará participando de atividades lúdicas do seu bairro e da sua cidade
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