Adlai Ralph Detoni

12/03/2009
Entrevistas
Adlai Ralph Detoni Adlai Ralph Detoni

Adlai Ralph Detoni é licenciado em Desenho e Plástica e graduado em Engenharia Civil. Em 1989 começou a lecionar na UFJF. É mestre em Filosofia e doutor em Educação Matemática. Atualmente coordena o mestrado em Educação Matemática da UFJF além do curso de Licenciatura em Matemática a Distância.

 

NEAD – Qual o perfil do aluno que procura o curso?
Adlai Ralph Detoni – Os alunos não têm uma característica única. Temos, por exemplo,  os alunos que estão regulares na vida estudantil, com 17 ou 18 anos, e que vislumbram uma oportunidade de curso superior. Há também casos de pessoas que já são pedagogas e talvez por já lidarem com Matemática na escola abraçaram a idéia. Há também aqueles que já são bacharéis em Matemática e que resolvem fazer a licenciatura. Esses dados estão relacionados, inclusive, com o anuário da Universidade Aberta do Brasil (UAB 1) de Bicas. Esse é o cenário característico, muita gente já era professor de Matemática na cidade, sem ter um curso superior.


NEAD – Qual o perfil do curso?
Adlai Ralph Detoni – O nosso curso ocorre num momento em que a EAD já deu os primeiros passos. O Departamento de Matemática abraça essa  ação do MEC no momento em que compreendemos que a matemática escolar tem duas necessidades: uma cumprida pelo matemático, e outra pelo educador matemático. Existem essas duas matrizes principais e elas estão presentes na concepção do projeto pedagógico. Nós pretendemos que as ações que estão se iniciando agora tenham realmente esses dois olhares. Temos assim a confluência entre a compreensão do ponto de vista da ciência e estamos interagindo com a ideia de ser a matemática uma ciência sociológica e politicamente imposta. O nosso projeto político foi escrito com essas diretrizes, nós estamos tendo uma clareza, uma distinção, do que é formar um professor de matemática e do que é formar um matemático.


NEAD – Qual a principal diferença entre formar um matemático e um professor de matemática?
Adlai Ralph Detoni – Nós conseguimos colocar no projeto pedagógico o chamado terceiro eixo. Esses três eixos visam formar um professor que saiba matemática, não apenas instrumentalmente, mas que saiba no seu conjunto histórico, nas suas amarrações contextuais, nos conteúdos específicos, além da instrumentalização deles, ou seja, formar pessoas que tenham uma leitura de sociedade. O nosso projeto político e a grade curricular referendando ele trazem essas disciplinas que levam o formando à possibilidade de discutir questões sociológicas, psicológicas, históricas e antropológicas.


NEAD – A matemática é tradicionalmente vista como a vilã nas escolas. O professor tem que ter um preparo maior,  além do instrumental, para lidar com essa situação?
Adlai Ralph Detoni – Até 20 anos atrás a resposta a essa situação girava em torno do senso comum , lidar com o chamado fracasso, lidar com a aversão à matemática. Hoje as contribuições da psicologia, da história e da filosofia também se constituíram e produziram resultados científicos que são acessíveis ao professor que está se formando. Por exemplo, vamos dizer que há anos atrás o aluno não aprendia matemática e estava fadado a um carimbo social de fracassado, e o senso comum ditava que a culpa era dele, ele que era o “burro”. Uma série de contribuições da psicologia humanizando as interpretações, fazendo pontes com a filosofia já permitem que atualmente não se admita o discurso de senso comum para enfrentar essas situações.


NEAD – Como está o mercado de trabalho para o Licenciado em Matemática?
Adlai Ralph Detoni – O mercado de trabalho para professor de matemática é generoso. O bacharel, por exemplo, não está formado para ser professor de matemática no Ensino Básico, há incentivo para isso e o mercado é generoso.

Sempre quero registrar que o estado de Minas Gerais anda na contra mão da qualidade que tem sido conseguida na educação da matemática. Devido à questão salarial, o bom professor está fugindo do Estado, um Estado que tanto investe em form
ações continuadas não está colhendo os frutos, porque o bom professor, assim que possível, consegue uma colocação melhor e sai do Estado.

De qualquer forma o mercado é aberto e há outros nichos ainda regionais sem centros formadores, é isso que o UAB 2 está propondo.