Popularidade: o Rádio a Serviço da Educação

02/11/2007

MicrofoneDesde sua invenção, há mais de cem anos, o rádio é considerado um dos meios de comunicação de maior importância na prestação de serviços. Ainda hoje, programas radiofônicos populares são alternativas que muitas comunidades recorrem para manifestar seus problemas e apresentar sua cultura. Um veículo barato, direto e popular, que sempre esteve ao lado do “ouvinte amigo” na democratização da informação.
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Hoje, em plena era dos microcomputadores e mini-geringonças portáteis, que nos conectam com todo o mundo, pode até se pensar que o rádio perdeu seu papel, principalmente pelo fato de que a maioria das rádios comerciais se rendeu ao fenômeno da simples reprodução de músicas. Mas em um país com imensas inconstantes sociais, o bom e velho radinho de pilha ainda é o único companheiro de muitos brasileiros.

Grupo que, apesar da variedade do público radiofônico, ainda reúne grande parte das donas de casa, empregadas domésticas, aposentados, taxistas, porteiros… Mas o democrático rádio também atinge gente de terno e gravata, de uniforme, desempregados, letrados e gente que não teve acesso à educação. E é nesse último grupo que o rádio pode ser mais do que um simples companheiro. É ali que governos podem focar um pouco de atenção para que a simplicidade e popularidade do rádio seja um eficiente mecanismo de acesso à educação.

Rádio e Educação: Uma Parceria que deu Certo

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RádioAs iniciativas foram várias. Tanto que o rádio no Brasil já começou educando. Em uma das rádios mais populares da história do Brasil, a Sociedade, do Rio de Janeiro, deu-se início à história do rádio educativo brasileiro, iniciativa de Edgar Roquette-Pinto, considerado o “pai da radiodifusão” no Brasil. As transmissões educativas eram a base da programação da emissora, que transmitia cursos de línguas, geografia, história, física, química, palestras científicas e momentos literários e infantis.

Também criada por Roquette-Pinto, a Rádio Escola Municipal (atual Rádio Roquette-Pinto) começou a moldar o que seria a educação radiofônica no Brasil, com envio de lições e trabalhos por correio. Os alunos inscritos nos cursos mantinham contato por carta, telefone ou visitas. Em 1941, o número de trabalhos recebidos pela emissora passou de 20 mil. Com tamanha demanda, houve a necessidade de alterar a proposta original e o próprio nome da emissora, que passou a chamar-se Rádio Difusora, pois ganhou o papel de difusora educativa e cultural.

Já em 1947 foi criada a “Universidade do Ar”, uma parceria entre Senac, Sesc e emissoras associadas de São Paulo, com o objetivo de oferecer cursos comerciais radiofônicos. Os programas eram gravados ainda no velho vinil e repassados às emissoras. Essas, por sua vez, retransmitiam as aulas três vezes por semana, nos chamados radiopostos. Nos dias alternados, os alunos estudavam por meio de apostilas e faziam as correções dos exercícios com o auxílio dos monitores. Estima-se que na década de 50, a medida atingiu 318 localidades e 80 mil alunos.

Apesar de as iniciativas não pararem por aí, com esses exemplos podemos perceber que qualquer semelhança com o sistema adotado atualmente pela Universidade Aberta do Brasil (UAB) não é mera semelhança. A fórmula da educação a distância é antiga. A novidade fica por conta das ferramentas utilizadas para que essa educação seja cada vez mais eficiente. Por isso, é de fundamental importância que sejam consideradas todas as potencialidades de todos os veículos de comunicação capazes de levar a formação pedagógica a lugares onde o ensino tradicional ainda é precário.

O “velho” e o “novo”

Apesar do poder de alcance, o rádio não é exclusividade dos que não têm acesso aos meios mais modernos de comunicação. Com a revolução digital, é clara a tendência de uma convergência midiática. E o rádio não fica de fora desse processo. É cada vez maior o número de rádios na internet, sejam retransmitindo programação de emissoras tradicionais, sejam rádios criadas e produzidas exclusivamente para o mundo virtual.

A disponibilização on-line dos programas do projeto Escola Brasil, por exemplo, já é uma realidade. Iniciado em 1997, o programa atua como um importante porta-voz das comunidades da zona rural, cidades do interior do Brasil e periferias das grandes capitais, em regiões que possuem dificuldades de acesso à informação, com altos índices de analfabetismo, de repetência e evasão escolar. O instrumento dessa luta, o rádio, foi escolhido justamente pela simplicidade e imediatismo.

O programa, produzido pela ONG Escola Brasil em parceria com a Secretaria de Educação a Distância do Ministério da Educação, é transmitido de segunda à sexta-feira, às 20h, pelas rádios Nacional de Brasília (AM – 980 KHz), Nacional da Amazônia (Ondas Curtas – 11.780 KHz/25m e 6.180 KHz/49m) e pelo satélite da Radiobrás para todo o Brasil (Banda C-3.770 MHz, polarização horizontal), além de outras emissoras parceiras espalhadas por todo o País, que emitem o programa de forma gratuita.

Mais uma prova de que o rádio pode sim estar a serviço da educação no Brasil. Com iniciativas simples, porém organizadas, o poder de penetração do rádio nos lugares mais distantes dos grandes centros nos oferece uma poderosa ferramenta de democratização do acesso ao ensino.