Aluno a Distância vai Melhor no Enade
A matéria publicada no jornal Folha de São Paulo, do dia 10 de setembro de 2007, aponta resultados animadores para as perspectivas da educação a distância no Brasil. De acordo com o jornal, baseado em informações do Enade, os alunos que ingressaram em cursos com a modalidade a distância, foram melhores, na maioria das áreas, aos dos estudantes que fazem o mesmo curso, mas da maneira tradicional.
Essa foi a primeira vez que o Inep (órgão de avaliação e pesquisa do MEC) comparou o desempenho dos alunos dos mesmos cursos nas modalidades a distância e presencial. Em sete das 13 áreas onde essa comparação é possível, alunos da modalidade a distância se saíram melhores do que os demais.
Ainda de acordo com os dados publicados pela Folha, quando a análise é feita apenas levando em conta os alunos que ainda estão na fase inicial do curso (o Enade permite separar o desempenho de ingressantes e concluintes), o quadro é ainda mais favorável ao ensino a distância: em nove das 13 áreas o resultado foi melhor.
Os Cursos
Os alunos de Turismo e Ciências Sociais foram os que tiveram resultado mais favorável à educação a distância, de acordo com o levantamento. Geografia e História foram os cursos em que o ensino presencial apresentou melhor desempenho.
O jornal afirmou que a análise dos concluintes ainda é limitada porque apenas quatro áreas de nível superior (Administração, Formação de professores, Matemática e Pedagogia) já têm concluintes em número suficiente para que seja tirada uma média e comparada com a dos demais.
Entre os concluintes, o melhor desempenho para estudantes a distância foi verificado em Administração e Matemática, enquanto em Pedagogia e Formação de professores o resultado foi inverso.
A EaD
Segundo a Folha, apesar de bem aceita em outros países, a educação a distância (em que a maior parte do curso não é realizada em sala de aula, com um professor) ainda não deslanchou no Brasil.
Quando a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, de 1996, sinalizou o incentivo dessa modalidade, alguns especialistas esperavam um crescimento acelerado, afinal, o Brasil tinha -e ainda tem- uma imensa população sem nível superior espalhada por um território vasto.
Porém, segundo o MEC, em 2005, foram oferecidas 423 mil vagas, mas apenas 234 mil estudantes se inscreveram em processos seletivos e, desses, somente 127 mil efetivamente ingressaram nos cursos. Prova de que o crescimento da educação a distância passa pela quebra de antigos paradigmas e preconceitos que ainda existem na sociedade.
A notícia divulgada na Folha traz ainda reflexões de autoridades da educação. De acordo com o diretor de Estatísticas e Avaliação da Educação Superior, Dilvo Ristoff, apesar das inúmeras experiências bem-sucedidas em outros países, o ensino a distância continua sob fogo cruzado no Brasil, com o argumento de que piora a qualidade. Dilvo acredita que alguns até reconhecem o efeito democratizante da EaD, mas temem que traga ainda mais dificuldades a um sistema educacional com problemas. O diretor defende a tese de que os dois últimos Enades, no entanto, mostram que este temor é injustificado.
Para o secretário de Educação a Distância do MEC, Carlos Eduardo Bielschowsky, o foco na formação de professores nos primeiros cursos oferecidos pela UAB acontece não por uma limitação do curso a distância, mas sim para atender a uma demanda não atendida. De acordo Bielschowsky, é possível estender a outras áreas, desde que não se abra mão da qualidade.
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